Vitória de Samotrácia - Parte IV

[...] Mesmo sem ter a convicção do que significaria aquele sinal, esperei o seu retorno. Ela veio quando eu já nem mais acreditava, quando, já de costas pro palco, no bar, eu pedia ao barman a minha "saideira" - um drinque à base de licor de frangélico. Com delicadeza, Vitória posicionou-se na banqueta ao lado e, assim, pude perceber mais de perto seu lindo rosto, afilado e alvo, assim como seus olhos: dois globos de centro castanho claro. Não havia mais indumentária vermelha. O que cobria seu corpo era agora uma blusa escura de costas nuas (cuja frente continha detalhes que brilhavam em reflexo às luzes avermelhadas da casa), um short jeans curto, aderente, e salto alto (não tão alto). Àquele andar da carruagem, não havia mais espectador, além de mim, e os garçons já esboçavam a impaciência e a má vontade de um fim de espetáculo. Ao perceber o ambiente que ali se delineava, convidei-a para uma caminhada pelas ruas da cidade, aproveitando-me da situação de viajante solitário [...]