Desdém

Apodreço diuturnamente e, cínico, no máximo eu sorrio pr'essa podridão. Como sempre, indiferentemente imundo em expressão. Só por dentro eu morro, arroxeado, fétido, embora na superfície eu não ofenda, mas cheire bem. Entende? Me engano e te engano a cada palavra proferida e a cada gesto em carícia.

Inocente, tu és uma vítima, tanto quanto eu sou, do meu próprio escárnio. Tenho culpa, é claro, mas esse é o meu vício, a ilusão. Dela, nem eu mesmo estou à salvo... imagine são!