Eternos Laços

Trago um filme, uma viola velha e a intenção de um pedido, mais tarde, pelo delivery. Uma pizza média, quem sabe, ou uma lasanha de carne de sol, sua preferida. Reflito sobre tudo isso, enquanto subo ao primeiro andar, todo santo domingo. Basta ver o ponteiro das sete se aproximar e já imagino o meu amor lá, o antigo, aquele que me trouxe consigo, dentro de si. Quando abre a porta, ela sorri, linda, amável e então me abraça, carinhosa e feliz. Me sinto aquecido, sou melhor assim, com sua graça e com seus dedos entre os meus cabelos: "cabelo tão lisinho", ela diz. Então, liturgicamente, seleciono o filme e deitamos, lado a lado, para mais uma sessão. Sua mão, pequenina e ossuda, ainda mais que a minha, se prende entre as minhas falanges sem me deixar fugir. Mãe, me guarda - eu penso. Te amo com a mais pura saudade, como se não mais estivesses aqui.