De Volta aos Anos Vinte

Quase um ano se passou e eu coleciono somente pouco mais de cinquenta páginas do projeto que um dia, quem sabe, chamarei de livro. Isso para o mais adiantado! O outro não passou, até o momento, da décima folha.

Contudo, se eu tivesse a chance de acessar um portal do tempo (sem querer aqui levantar lebres sobre Teorias da Conspiração) e, a partir dessa viagem temporal, conhecesse Hemingway, os Fitzgerald e, para além disso, me apoiasse nas críticas de Gertrud Stein no intuito de suplantar a minha escrita, então eu teria, com a mais absoluta certeza (em que pese esta redundância de ênfase), subsídio suficiente para levar meus projetos particulares a um conteúdo de duzentas, trezentas ou quatrocentas páginas.

Loucura? Reclame a Woody Allen, pois é essa a base de "Meia Noite em Paris", filme sob sua direção e que estreiou em circuito mundial no ano passado. O protagonista dessa estória é Gil Pender (Owen Wilson), um obcecado funcionário de Hollywood que viaja à Paris, a passeio, em companhia da noiva mimada e dos sogros prepotentes. Gil sonha em largar tudo e firmar residência na "Cidade Luz" para dedicar-se inteiramente ao seu livro, um romance inacabado.

Daí em diante, ele tem a oportunidade de voltar no tempo e tornar-se amigo dos grandes artistas que viviam na capital francesa nas idas de 1920, dentre os quais Picasso, Salvador Dali e tantos outros, a exemplo daqueles já citados acima. Depois disso, como era de se esperar, a vida do personagem principal sofre uma completa reviravolta.

No filme, me chamou a atenção uma crítica que tange a todos nós, ou, pelo menos, à maioria: pensarmos que os tempos passados foram melhores do que os atuais, nos quais vivemos. De vez em quando ainda penso assim, embora eu esteja tentando impor limites a essa impressão. De toda forma, estou de passagem comprada e pretendo viajar em agosto à Paris. Certamente não resistirei e percorrerei as ruas de MontMartre na esperança de uma carona noturna aos anos vinte.