Fonte Seca

Não penso, não progrido, não crio e espero, em vão, que belas palavras caiam do céu ou brotem das ramificações e dos emaranhados cerebrais como correntes elétricas em espasmos. Cada espasmo, uma idéia! Lembro que numa recente madrugada, já quase dia, eu, sonâmbulo e inebriado com o silêncio da matina, formei orações tão lindas como jamais imaginei ser capaz. Tais frases permaneceram na memória somente até o tremor das pálpebras, se esvaindo da mente aos poucos, quando abri os olhos, como se leves fios de seda escorregassem por entre os meus dedos. Foi-se embora a minha inspiração e, antes dela, foram as experiências que, feito massa de modelar, formavam letras, vírgulas, pontos de exclamação, de interrogação e, por fim, reticências...