Prólogo

Para que fique claro que não é esse imóvel – o qual é a mais pura razão de ser deste documento, atestado pelo Tabelião titular do 12º Tabelionato de Fortaleza, o Senhor Guido de Castro Bezerra Alves, e pelas duas testemunhas aqui presentes, o querido amigo Praxedes Vitorino da Silva e o meu mais antigo funcionário, o fiel Américo Vespúcio dos Santos – um simples edifício,  composto apenas por tijolos, cimento, fios elétricos, canos hidráulicos, barras de ferro e pelas benfeitorias que durante anos foram incorporadas, eis, detalhadamente elaborado nas próximas páginas, a ordenação cronológica dos fatos que fizeram deste sobrado algo muito mais valioso do que qualquer dinheiro, sujo ou suado, que pudesse ser ofertado em sua compra. Devo dizer que um dos meus maiores desejos, inferior apenas ao que se propõe a finalidade desta escrita, é que este rascunho neste estado permaneça e que esteja eternamente guardado em sigilo, devido às conseqüências judiciais que podem vir a invalidar o propósito final do que pretendo, a disposição de meu patrimônio, caso algum oportunista venha a acessá-lo.


É prudente mencionar que o disposto nas próximas páginas confessará a imortalidade de um sonho, bem como o amor e a dedicação de toda uma vida de erros, mas também de diversos acertos, em que pese o fato de que vários destes últimos podem ser, por algumas pessoas, muitas, inclusive, até próximas, confundidos por obsessão ou culpa mal curada. Independente de quaisquer julgamentos – pois estes jamais me roubaram sequer uma noite de sono e não será agora que o farão – segue a estória do meu, do nosso, boteco musical.