A Concubina - Parte II

(...)
- Sabia que você não pode ter cachorro aqui nesse prédio?
- Como não? Aqui, nos meses de férias, tem animal muito mais perigoso!
- Tu fica aí frescando, mas quero ver quando meu marido chegar e for tomar satisfação com você.
- Beth, teu “marido” (fazendo aspas com os dedos) não vai tomar satisfação coisa nenhuma. Ele é ilegal aqui no país! Já prestou atenção como ele fica quietinho quando a gente discute!? Rabo preso, minha filha!
- Você me paga!
- Você que tem que pagar! Duzentos e cinqüenta reais por ter quebrado a sauna depois de derramar Pinho Sol na máquina!

Uma “Rabissaca”, digna de gente da sua estirpe, anunciou sua entrada no elevador que se abrira naquele exato momento. Deixe-a ir, falei pra mim. Dei meia volta e retornei ao meu apartamento para beber água e apertar “play” para ouvir uma música que me acalmasse: “Cover This” do Dispatch. Após ver os saltos agitados do meu cão, percebi que minha mão tremia ao segurar o copo d’água e lembrei ser possuidor de uma qualidade e, ao mesmo tempo, de uma grande deficiência: começando pelo último, me estresso rapidamente e é fácil a qualquer um me tirar do sério. A qualidade nisso tudo é que ninguém percebe. Trabalhei (e ainda trabalho) fortemente no sentido de controlar o stress e a tremedeira até me encontrar em minha própria companhia, e, nessa hora, relaxo e liberto o tremelique dentre os outros sinais de nervosismo que me são inerentes. E a Beth, nesse sentido e em última instância, tem sido uma ótima experiência para colocar em prática o resultado de todo esse trabalho. Contudo, e acima de tudo, tê-la como vizinha, parede a parede, mesmo que por poucos meses, me deixa psicologicamente cansado. Não esperava por esse tipo de convivência depois de gastar tanto na aquisição do imóvel (...)