A Concubina - Parte I

Ela arremessa, lá do sétimo andar, balões de água nas prostitutas que têm por ponto a esquina da rua onde moramos; usa “Pinho-Sol”, ao invés de essência de eucalipto, para o ambiente da sauna (acha o cheiro semelhante); e ainda tem por costume estender a própria roupa íntima na borda da piscina do prédio. Pois essa é a Beth, minha vizinha... infelizmente sou obrigado a chamá-la assim, de vizinha, pelo menos na alta estação, quando seu nórdico “marido” vem passar as férias e, nesse tempo, ela se muda, de mala e cuia, para o condomínio onde coincidentemente resido. Dessa forma, devo concluir que o proprietário do apartamento é ele e não ela. E imaginando estar certo em minha conclusão, arrisco a dizer que Beth se resume ao concubinato. Por conta de seus maus modos, já discutimos diversas vezes e, na última ocasião, fui até jurado de morte após apelidá-la de concubina. Mulher perigosa! Ontem, pela primeira vez nos últimos cinco meses, ela apareceu por aqui. Não tive o desprazer de esbarrar com seu perfil fútil, no entanto, sei de sua desconfortável presença graças ao cheiro de perfume doce e barato que invade todo o corredor desse andar... e faz mesmo todo o sentido, tendo em vista estarmos no início de dezembro. Ah, lá vem ela (...)