Coloquei dois travesseiros triângulos, daqueles de encosto, alinhados de forma a tornarem-se, juntos, um retângulo... dessa forma, os posicionei do lado esquerdo da cama. Na minha cabeça doente, penso que me servem como obstáculo para evitar a aproximação (pelo menos por aquele lado) de seres sobrenaturais. Pelo flanco direito, me protegi como pude: outros travesseiros, notebook, urso de pelúcia (que não é meu, mas da esposa), enfim, tudo que poderia utilizar para não deixar espaço vago sobre a cama. Ventilador (já que ar-condicionado todo dia não dá) fixo na minha direção e janela escancarada, tanto para deixar o ambiente agradável e um pouco mais claro, quanto para permitir que os vizinhos me escutassem em caso de emergência! Fechei as portas que dão para a sala e para o banheiro e utilizei os lençóis não para o artifício para o qual foram inventados, mas como verdadeiras armaduras que só permitiam descobrir os olhos. Pronto para dormir, rezei pelas pessoas com as quais me importo (muitas vezes caio no sono durante o Pai Nosso – ontem, porém, me esforcei para não dormir e consegui terminar a oração) e, depois disso, esperei os olhos fecharem... uma verdadeira liturgia de um sono só.