Deep Sea Sleeper

Acordei ontem...

Um sono de dois meses, no qual me mantive livre do pecado.

Um pecado subjetivo, camuflado pelo niilismo da minha própria religião, graças a qual fui santo clérigo durante a hibernação.

Essa hibernação é necessidade recorrente; é quando me abstenho do mundo e do meu vício.

Vício igual a onda, pois se vai e volta.

Na volta, sempre traz o fogo e o torpor apriosionados pela abstinência.   

E cá estou, outra vez, na superfície dessa maré alta, pensando: mergulho no vício ou volto a dormir?