Sopros intermitentes, quase permanentes [era o vento que corria do mar] traziam o cheiro de maresia, invisível, mas perceptível, sobre a pele a descansar: fragrâncias que confundiam e fundiam o cheiro dela, tropical lavanda, e o hálito de menta - alquimia natural. Viajávamos em bando, feito hippies dos anos noventa sem a tradição dos trajes... éramos apenas biquíni, camiseta, calção, mesada, gol quadrado verde musgo e gasolina a sessenta centavos o litro. Tempo bom! Os corpos sempre dourados, sem as dobras dos anos passados, pois tão poucos, eram apenas o início, um indício, de uma vida de liberdade, livre dos julgos dos padres, pais e dos mais velhos irmãos. E os beijos se amontoavam na companhia dos garrafões de vinho ordinário e da lua; mel nos olhos dos outros era mesmo refresco. E eu sentado olhava em volta, mas me concentrava na areia branca amontoada entre as solas dos meus pés. Acreditava que ela me esperava em algum lugar ao lado do fogo e da roda de violão. E o coro virava a noite. E os amigos que pelas dicas se aproximavam, em raiva me mal diziam: "faça alguma coisa!".
E o tempo passou; as noites perderam as suas estrelas e o litro da gasolina inflacionou. Não provei aquele beijo. Não toquei aquela mão. Timidez, uma espécie de maldição; lá se foi outra oportunidade.