O Solistício de Anna - Parte V
Por
Valdir
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[Contos]
[...] Assim, como é intuitivo notar, as horas que se seguiram à briga foram acompanhadas de mais bebida até que, ébrio, esqueci do tempo e de Anna; dormi no gramado. Então, ali, recobrado das lembranças, logo corri para a margem pensando na minha plena redenção: resgatei a seda com água na altura dos joelhos. A tempestade já não era anúncio, era realidade... as gotas pesadas eram como pequenos pedregulhos que em meu corpo se agarravam. Com o acessório do vestido nas mãos, dirigi-me, rápido, o mais que pude, à casa, sem qualquer preocupação com a água que das minhas roupas escorria. Rapidamente percorri a varanda, a sala, me esforçando para não escorregar e tropeçar nos degraus da escada e, com o coração a sair pela boca, invadi o quarto para, incrédulo, visualizar a grande cama vazia. No eterno lado de Anna, sobre o seu travesseiro, um pequeno envelope – tão alvo quanto a fronha que o acomodava. Dentro dele um bilhete, do qual li apenas a primeira palavra (e talvez a única) já embaçado pelo arrependimento: ”Adeus”.