Vitória de Samotrácia - Parte I
Por
Valdir
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No tablado ela surgiu... veio flutuando, rompendo, com torpor, uma cortina negra – entrada triunfante. E todos contiveram a respiração! Os olhos do público acompanhavam suas mãos, pernas e seu belo corpo, enquanto eu, ali na primeira fila, estava também completamente tocado por sua beleza majestosa e sensual. Ora, não existe perfeição, eu sei, mas os seus defeitos deveriam ser oriundos apenas da personalidade – uma vez que fisicamente não eram notados. Se a lógica fosse compensatória, Vitória seria uma psicopata, uma assassina em série – e eu, facilmente, uma nova vítima. Enquanto me distraía pensando esses impropérios, ao grito de “vale” ela sorriu. Pra mim? Achei que sim, mas tinha a mais absoluta certeza que o moço sentado ao meu lado pensou o mesmo (finalmente, Adam Duritz, eu efetivamente entendia a letra de “Mr. Jones”) [...].