Com as pernas cruzadas no estilo borboleta e tendo os olhos fixos na direção do horizonte, ela não procurava algo especial. Seu olhar parecia inerte, nem triste, nem alegre, só estava aberto, refletindo o quebrar das ondas poucos metros a frente. Dessa maneira ela ficou por quase duas horas, sentada no aterro, na companhia do verde mar... vendo passar o tempo como quem não tinha pressa e nem atropelo. Por vezes, quebrava a inércia com um sutil movimento de punho, fechando-o e enchendo-o de areia clara da praia e levemente despejando-a pela coxa descoberta. Os grãos, em sua maioria, voltavam para onde tinham vindo, outros, poucos, ficavam presos entre os finos e pequeninos pêlos da perna. Tinha os lisos cabelos castanhos firmemente presos pouco acima da nuca, um majestoso e imponente “rabo de cavalo”. Sua pele cheirava a um agradável aroma de filtro solar, dos caros, que a fazia recordar da recente infância no litoral leste.
Depois, deixou descansar na areia o restante do corpo, passando o mar a ser notado só (e somente só) pelo barulho das ondas. Então, era apenas o maravilhoso e limpo céu azul a invadir sua pupila como se quisesse inundá-la. Calmamente, fechou os olhos quase adormecidos e, repentinamente, notou, pela sombra nas pálpebras, duas presenças. Rapidamente, num breve susto, abriu os olhos e conferiu os dois corpos que já sentavam, um a cada lado seu. Fechou novamente os olhos, compartilhou um leve e charmoso sorriso... sentiu-se segura.
Morena era assim, calma, linda, intensa e gostava de observar o mundo a partir das bases do romantismo, culpa do pai. Da mãe, puxou a beleza do corpo, das feições e do cabelo. Era, em vista, uma nova Nara noviça! Ali, eram os três!