Estava ele, Bosco, na fila do INSS, após o décimo quinto dia de atestado médico por consequência da fratura de um dos dedos da mão direita. O médico lhe dera mais quinze dias, o que o obrigara a procurar a Seguridade Social para garantir o valor integral do salário, mesmo sem poder labutar.
Bosco é bancário, funcionário público de uma instituição financeira federal e, para o bom exercício da sua função, deve fazer abundante uso do micro-computador instalado em sua estação de trabalho. Por conta da recente fratura e do novo acessório que ocupa boa parte do seu braço, um espesso gesso branco, Manso, como é chamado pelos colegas de profissão, estava, por causas óbvias e para o seu desagrado, impossibilitado de comparecer à repartição onde é empregado. Aquilo, por si só, era motivo de angústia, chateação e pavio curto!
Em meio à aporrinhação da fila que, àquela altura, às 09:30 de uma segunda-feira, 05 de dezembro, era composta por umas vinte pessoas, todas em condições similares de saúde, Bosco, que ocupava um dos últimos lugares, impacientava-se com a lentidão no atendimento e com o assédio de uma farta e brancosa senhora que insistia em puxar conversa. O amigo, visivelmente desgostoso, relutava em aceitar aquele diálogo:
– Com licença, qual o problema do senhor?
– Dedo quebrado!
– Ah, dos males o menor... bem pior o meu caso que é...
– Mental?
[...Silêncio...]