Impropérios

Ouvi, um dia desses, certo comentário, por sinal, interessante e caricato, organizado quando reclamava, uma grande amiga, da “má vontade” e da “falta de inteligência” de alguns habitantes do Planeta: “as pessoas inteligentes serão minoria em algum tempo”.

Apenas um pouco de entusiasmo dirigido ao seu comentário e pude perceber que se não está ela redondamente certa, pelo menos observação e bom humor não lhe faltou. Segundo a sua teoria, as pessoas mais abastadas, do ponto de vista racional e cultural, têm, hoje em dia, menos filhos e, dessa forma, se somente através dos cromossomos nos são passadas as características hereditárias, menos humanos estarão, num futuro não tão distante, sendo gerados com essa inteligência espontânea e cromossômica – despindo esse texto de qualquer tom preconceituoso que possa impregná-lo (presumo que todos concordem que trato aqui de uma mera elucubração filosófica e não do surgimento de mais um Anticristo – Anticrista, nesse caso... Mari, Mari...).

O recém-exposto explica o caso da “falta de inteligência” de alguns habitantes do Planeta, contudo, não trata a questão da “má vontade”, mas por uma simples razão: a “má vontade” foi idéia minha e não da amiga. Disse eu, em complemento ao pensamento revolucionário da outra, que determinada parcela dos taxados “desprovidos de inteligência mediana” poderia, e facilmente, migrar de “pouco inteligentes” para “maldosos de vontade”. Em suma, uma coisa não exclui a outra: a má vontade, no geral, é burra!