Voltava eu da casa de meus avós no início da tarde de ontem, domingo, quando ao passar pela Monsenhor Tabosa, na altura do Vila Camaleão, percebi que um rapaz se distanciara, ficara propositadamente para trás de seu grupo, adentrara num recuo da calçada entre duas lojas, e, nada cerimonioso, baixara as calças tratando de assumir a posição mais antiga da Terra. Pudor zero! Qualquer um que passasse por ali de carro, exatamente o meu caso, poderia observar a cena e, pior ainda, qualquer pessoa que caminhasse por aquela calçada encararia não de frente, mas de lado, tal situação fisiológica. Me perguntei: por que eu não estava com uma máquina?
Aquela visão nada romântica fez-me lembrar das antigas civilizações otomanas (ou romanas, turcas, sei lá) graças aos restos de um recinto que tive a oportunidade de conhecer (e até de fotografar) quando visitei o sul da Turquia, região famosa também por abrigar as conservadas ruínas da cidade de Ephesus. O citado recinto era como um banheiro público (no sentido comunitário da palavra) possuidor de várias privadas de mármore, nada muito sofisticado não. No dia da minha visita, os termômetros mostravam seis graus Celsius, o suficiente para congelar ou adormecer o bumbum no mármore gélido daquilo que o povo chamava de sentina. Pois para resolver aquele problema de dormência em tempos remotos, a grande sacada era deixar os escravos aquecerem o assento por mais ou menos meia hora e, então, tornar o trono algo mais confortável e aquecido para as nádegas dos cidadãos livres. Pudor zero!
E pensar que a minha primeira preocupação ao sair para um bar agitado é relacionada ao banheiro, especialmente no quesito "portinha". Sempre pergunto aos amigos se há portinha nos boxes do WC, afinal, nunca se sabe o que acabamos comendo por aí. Então, é dífícil para mim entender essa facilidade em deixar de lado o pudor em momentos tão fisicamente reservados e individuais. Bom, pensando melhor, talvez a necessidade explique!