Toda manhã eu acordo bem cedo na primeira vez, acordamos. Adiamos por duas vezes, às vezes três, o despertador do celular – campainha estridente. Sonâmbulo, agora sozinho, fico ainda dormente na cama por mais dez minutos, tempo suficiente para desenrolar a batalha diária entre o corpo e o poderoso psico. Guerra fria, nada das bandeiradas ou das cavalarias do Mestre Suassuna, somente as ameaças da atividade psicológica sobre a educação física, só o corpo precisando se ir e a mente duvidosa que ora apóia, ora contraria:
Não precisa alavancar o esforço
Na dúvida, mais vale um lençol
Ou mesmo um travesseiro roto
Do que suor na virilha
Não carece tanto adorno
Nem tanto músculo no corpo
Afinal, ainda és um moço
Cheio de vida e de alegria
Por outro lado,
Olha a barriga
Agora, cedo,
Ainda diminuída
No descanso do almoço,
Já crescida
Depois, o peso
Ao invés da corrida
E assim é todo santo dia
De manhã, comemora a preguiça
Na tarde, a dúvida, me permita
À noite, só promessa vadia