O Quarto

Percebo o som silencioso do ventilador, a camisa verde debruçada sobre a armação do banco do birô, as costas suadas na cadeira do micro, as fotos antigas, a imagem fosforescente de Nossa Senhora e as pelúcias da Parmalat - cortesia e propriedade da vó. Janelas de madeira, vidros na película negra. Do outro lado, embutido, o guarda-roupa de madeira de três portas. Sobre a cama, a Pedra do Reino, romance de cabeceira. Olhando pra baixo, a cerâmica. Sobre isso, lembro que era bom deitar o rosto no piso frio e observar os efeitos visuais dos seus desenhos de superfície (não resisti e repeti, agora, o antigo costume, quase esquecido nas lembranças de um passado distante). Na parede clara, bege, entre a escrivaninha e a prateleira onde estão a Santa, as fotografias e os bichos, repousa, emoldurado, o retrato datado de 1992, cujo título é:


COLÉGIO MILITAR DE FORTALEZA 
TURMA B-1


Meu antigo quarto, ainda igual como antes, soa familiar. É bem capaz de ele sempre soar assim.