Homens, mulheres, Greys e outras criaturas da Via Láctea, esta é uma convocação para o nada, para o sem sentido e para limpar as vistas! Cubram-se com leves indumentárias mambembes e saiam, sem gel ou maquiagem, às ruas portando somente tambores, cornetas, foles, buzinas, buzinórios e enceroscópios (é permitido enfiar no bolso da calça ou da bermuda de pano um sanduba de “mortandela” com queijo coalho ou qualquer outro alimento que lá dentro caiba). Esqueçam do trabalho... esqueçam, pois se todos esquecerem não haverá um só ente a cobrar uma presença! Se aglomerem, preencham as ruas e procurem as sombras das árvores frondosas. Comemorem o nada, a ausência das obrigações, gargalhem como crianças, prestando atenção nas folhas que caem e na maneira com a qual se movem ao sabor do vento. Olha o redemoinho de folha e poeira! Vibrem e se deliciem com a liberdade, com a alegria e com o som inusitado dos instrumentos que o povo toca, mesmo sem técnica para isso! Joguem adedonha, ludo e imagem e ação com os desconhecidos. Procurem o mar, a lagoa, o rio, o lago e se estendam na areia das suas praias... hoje não tem filtro solar. Não pensem em sexo – a roupa mambembe é exatamente para que a sensualidade dos homens, das mulheres e dos outros seres não aflore, mas se abracem e se beijem, dêem-se as mãos, olhem-se nos olhos sem a culpa dos erros de ontem. Não se melindrem com os ciúmes, pois hoje não há maldade ou bolinagem. Se espreguicem até tremer e esperem o cair do sol, depois retornem aos respectivos lares, sempre de pé-dois, e brindem o dia 23, o novo feriado!! Está decretado, homologado e sacramentado! Não é dia santo, nem feriado político ou dia do trabalho, do índio e muito menos de um mártir... não é Natal, nem Reveillon, Carnaval ou dia de finados. Mas já foi escolhido, para toda a Via Láctea, o 23 de setembro como sendo o Dia do Sem Sentido! É amanhã!!