Descoberta

Também não, eu não sou quem você pensa que eu sou. Mas você, sei bem o que é: uma armadilha em tom reflexivo que eu mesmo armei, uma projeção. E como qualquer coisa em caráter reflexivo, eu fui o capturado. Em sendo capturado, posso, por entre as confusas distrações mentais e auto-definições, humildemente classificar-me como um animal enjaulado. As grades que compõem essa prisão em que me prendo não são reforçadas e nem podem ser vistas! Por isso mesmo, amigo, são poderosas e resistentes até demais. Não as menospreze! Antes fossem de aço ou metal fundido, mas são psicológicas, seu Zé, abstratas! E nem eu as enxergo, quando muito, me esbarro nelas com brutalidade e caio desacordado. Só acordo não sei quanto tempo depois, ainda na prisão imaginária e sentimentalmente absurda que tolhe, transforma e potencializa as emoções. Não tem por onde escapar, não tem mão que se estenda pra me puxar, não tem saída. Estarei preso pra sempre, enquanto tiver vida.