Não temo pelo dia da morte, mas pelos termos que me serão entregues quando a hora chegar... aquele contrato a ser assinado, friamente segurado pela caricata mão ossuda, esquelética, cujo braço, poder-se-á perceber, estará envolto por um manto negro. Ou tal contrato de óbito virá por meio de uma bem cuidada mão, cuja extensão anatômica estará coberta por um elegante terno Armani? Não preciso de hoje imaginar como será, e, tão menos, dos amigos que já se foram, receber alguma previsão do que estará por vir. Isso eu não quero! Prefiro viver, pouco a pouco, a graça dos dias e entender a santa maestria de domar a ansiedade pelo amanhã, pela sexta-feira, pelas próximas férias ou pelo próximo ano. Trabalhosa tarefa é domesticar a ânsia e a azia! Mas, certamente um dia, acordarei com o plácido pensar e concluirei ter alcançado o estado da arte, a graça de viver plenamente cada manhã, uma por vez. Nesse momento, feliz da vida, ouvirei o barulho da campainha! Então, apelarei para o “olho mágico” e verei um elegante senhor trajando passeio completo... terno Armani.