Na Madrugada de Sexta...

Na caixa o DVD do Mombojó... o visor do som marca a primeira faixa, “Discurso Burocrático”: “tá todo mundo dançando a nostalgia do verão, parece ser difícil, mas não (...)”. Aumento o volume até o nível 35 e deixo a música, cristal, penetrar... os vidros estão fechados para que o som não escape e, assim, se prenda abafado, alto... quase insuportável. Parafraseando Curumim, em “Magrela Fever”, sinto o mel na mente e, então, engato a ré à meia noite, agora embalado por “A Missa”. Já volto pra casa forrado de costelinha, nachos, coxa de frango apimentada, Heineken e boa conversa... os pensamentos fluem, misturando passado e presente, mas sem menção ao futuro! Agora, ladeio o Mausoléu do Presidente Castelo Branco e é a vez de “Cabidela”... e como eu gosto desse arranjo inicial. Lembro das outras vezes em que, tal como nesta, voltei escutando as mesmas músicas e no mesmo volume... noutras oportunidades o Marcelo estava comigo e me ajudava a cantar, desafinados, as rimas das canções numa verdadeira ode à histeria! Poxa, ainda sinto a língua quente por causa do molho de pimenta. Amanhã é sexta, aliás, hoje já é sexta! Penso agora na cama quentinha depois do banho e, então, imagino uma cena em câmera lenta... venho flutuando, banhado, porém enxuto, do banheiro à cama. Daí, alinho o corpo sobre o meu lado do leito e então aperto “play” para despencar. Quando o peso atinge a cama, escolho novamente o modo lento e acompanho, calmamente, o levantar dos lençóis... rebobino o filme mental até voltar para onde estou e pressiono o acelerador, agora realmente, para chegar logo! Está bom de loucura doidice, quero dormir!