Se Virem!

Sobreviver na Holanda graças ao português e ao baião de dois! Esse foi o relato de um colega de trabalho quando se referia ao sobrinho e seu companheiro que há poucos meses partiram para morar numa cidade do interior da Holanda. Para incrementar a bolsa de doutorado de um deles, por que não se utilizar do conhecimento adquirido no Brasil? E o que seria mais genuinamente brasileiro do que ministrar aulas de português e montar uma venda “amadora” de pratos típicos nordestinos como a feijoada e o baião de dois? Será esse o segredo do sucesso forasteiro? Para estes erradicados na Holanda, só o tempo dirá! De qualquer forma, essa iniciativa serve para ilustrar o quanto o brasileiro é criativo quando a expressão “se vire” bate à porta – principalmente se a porta for de madeira tupiniquim importada! Outro exemplo encontrei na Grécia, quando, às 03:00 da manhã, conheci o Ricardo, um operador turístico de uma empresa de receptivo que me aguardava, e à minha esposa, na entrada do aeroporto de Atenas. Conversa vai, conversa vem, descobri que aquele moço havia chegado à Grécia graças ao futebol – era jogador de um clube da primeira divisão do campeonato grego. Segundo ele, a idade pesou para o esporte e a melhor opção foi permanecer por lá trabalhando com turismo (me admira que em apenas cinco anos ele tenha adquirido fluência num idioma tão confuso). Talvez por isso, os amigos do primeiro exemplo tenham preferido se virar com aulas de português! É, mas tem mais... imagine a quantidade de exemplos interessantes de brasileiros que fazem de uma outra pátria seus lares, quer sejam esses lares permanentes ou por apenas uma ou duas temporadas. Eu muito admiro quem oferece a cara e mostra a coragem para viver (ou sobreviver) num país estranho, sujeitando-se, em alguns momentos, ao preconceito (escancarado ou velado) que ainda existe. Por fim, aos brasileiros lá fora a palavra de ordem é: se virem!!