Há cerca de dois meses, cansado das leituras técnicas sobre economia, resolvi fazer o download de um livro intitulado “Conspirações – tudo o que não querem que você saiba”. A verdade é que gosto desses assuntos ditos conspiratórios... o grande problema é o exagero e as mentes por demais criativas que acabam por transformar o assunto numa enorme seara paranóica. E nesse campo tudo cabe: existência de cidades subterrâneas, doenças criadas pelos americanos (como a Aids e a Dengue, para não citar outras), convênios entre extraterrestres Greys e Nazistas, híbrido de humanos e alienígenas (chegam a mencionar que Elba Ramalho é um híbrido – que maldade), experimentos de viagem no tempo e por aí vai... a lista é extensa. Confesso que existem algumas teorias muito bem elaboradas que até geram um interesse investigativo ou, pelo menos, uma razão para ser o centro das atenções numa mesa de barzinho sábado à tarde. Vou citar uma para quem gosta de Beatles... diz-se que Paul McCartney faleceu em 1966, vítima de um acidente de trânsito e que, na realidade, quem está em seu lugar desde então é um sósia de talento duvidoso. Esse é o motivo pelo qual, a partir do ocorrido, foram cessadas as apresentações ao vivo da banda britânica. Mas o mais interessante é, de acordo com os amantes dessa conspiração, a série de pistas deixadas pelos demais integrantes do grupo para que os fãs pudessem decifrar a verdade por detrás do encobrimento da morte de Paul – armado pela gravadora que temia pelo futuro da banda. Eis algumas mensagens subliminares, que transcrevo do livro “Conspirações”, encontradas na capa do disco Sgt Peppers: a) no centro da fotomontagem da capa, um arranjo de jacintos amarelos forma uma guitarra de canhoto de três cordas. A guitarra simboliza Paul, canhoto, e as três cordas mostram que só três Beatles estão vivos. Além disso, a ilustração é claramente um funeral; b) outro arranjo de flores forma a palavra “Beatles”. É a primeira vez que a banda assina um disco dessa forma e não como “The Beatles”. Faz sentido... se Paul está morto, não existe mais “The Beatles”, mas apenas os três “Beatles” remanescentes; c) no centro da fotomontagem existe uma bateria desenhada por um certo Joe Ephgrave. O nome Ephgrave é considerado um amálgama de “Epitaph” (epitáfio) e “grave” (túmulo). Dizem que se alguém colocar um espelho horizontalmente no meio de “Lonely Hearts”, conseguirá ler a seguinte mensagem: “I ONE IX HE <> DIE”. A interpretação é a seguinte: “I ONE” significa 11 e, portanto, a mensagem é “em 11 de setembro ele morre” – o símbolo <> aponta diretamente para McCartney. O acidente teria ocorrido em 11 de setembro (uma data de múltiplos significados cabalísticos, como se nota). Ao reler tudo isso, confesso que exprimi um leve sorriso debochado. Porém, procuro não menosprezar as teorias conspiratórias! Elas têm a prerrogativa de dominar mentes frágeis e torná-las paranóicas (ou não). Como adverte o próprio livro “Conspirações”, publicação mencionada no início deste post, “se você gosta da sua rotina, da sua vida previsível, do seu mundo pacato e das suas certezas, deixe esse livro agora. Você não vai dormir em paz se for em frente. Talvez não durma nunca mais”. Anteontem dormi muito bem... noite passada não, mas por conta da derrota do Ceará!