Dente de Leão

Quantos momentos vivos e ativos na mente, por ocasião do atual, se perdem no tempo, ao sabor dos minutos e das horas, essas frações, ao bel prazer da memória? E o que é o tempo, o senhor dos subjetivos, o intervalo entre dois colchetes? Interrogações que se esvaem sem resposta, ínfimo é o ser humano frente à magnitude do que paira, do que existe intocado pela consciência dos homens. O que nos faz ignorar em alguns minutos, horas, tudo de mais rico e de mais poderoso ocorrido no agora, o quê, pela menos tácita das realidades, já é passado? Assim, a memória, essa limitada guardiã dos espaços, esse raso baú das alegrias e lamentações, fiel amélia-amante do tempo, flutua subserviente a este, ao qual vive acorrentada.