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Gostava quando a chuva caía; de ver o dançar das águas no para-brisa do carro e de perceber como tudo ficava distorcido além daquele vidro, as bicas, os cones das eternas obras viárias e os faróis dos outros carros. Ignorando a prudência eu acelerava, imaginando o café na xícara vermelha, o cheiro forte dos grãos e o tempo frio lá fora. Doido pra chegar em casa. Sonhava com o vapor subindo aos olhos, mesmo na contramão do ar que saía das minhas narinas. Aquela sensação confortante e calorosa. Pensava em você deitada comigo na rede da varanda e observando do décimo andar todo o molhar da cidade, cada um com sua xícara: a tua com o meu nome; a minha com o teu. Tuas costas apoiar-se-iam em mim; formávamos um molde perfeito. Findo o café, nos cobriríamos com aquele lençol velhinho... ele tinha o teu cheiro. Os pés, como de costume, se agitariam uns contra os outros para amenizar o frio, e você acabaria novamente dormindo com a cabeça apoiada no meu ombro, me deixando sentir o aroma fresco dos teus cabelos. Éramos tão felizes, tão íntimos. Hoje, me pergunto em silêncio, consulto os meus botões, monologando: por onde você anda?