I

Um dia, vais me agradecer...

Quando a poeira baixar, quando a felicidade voltar a reinar... mesmo somente em alguns dos teus futuros monólogos, silenciosos, lá na escuridão dos teus fechados olhos e sem que ninguém perceba.

Agradecerás a mim, sem contudo soletrar qualquer palavra, por todas aquelas negativas por mim ditas [benditas] – o respeito traduzido em “nãos”.

Só eu saberei da tua gratidão. Entenderei o perdão em teus olhares no supermercado, no passeio em família, na casa decorada, na grávida barriga e na alegria de uma risada despreocupada. Então, verei as folhas dançando e as ouvirei conversar sob a batuta da brisa fresca de uma manhã de sábado...

E serei mais feliz... seremos.