Desalmada

Em pavorosa, leciono a sina do desejo morto: a arte fina que deprecia o gozo...

Ante à liturgia...
Ante à docência fria
Mãos em corpo moço
Ainda menos teria
Dessa tensa mania
Se maior o esforço

Ah, minha mocidade plena!
Viva em ilusões, serena,
De um passado insosso
Que só me valeu a pena
Por aquela morena
E seu cheiro no pescoço...

...Que despertava a alma,
Lacônica, uma salva de palmas!
Minha moldura, meu esboço

Pois hoje, até minh’alma,
Cansada, velha e calva,
É carne e osso.