O Retardatário

No encalço do amadurecimento, sou retardatário. Aprendo, embora lentamente, com os erros de outrora, mas vivo na ciência das minhas desvantagens (absolutas e competitivas), as quais são transformadas, vez por outra, em pecados mortais. Mas não me dou por vencido e, em regime de imersão, eu estudo e reflito, até as bordas da exaustão, sobre as suas formas e conceitos, sobre as suas aparições. Contudo, apesar de toda essa pesquisa, não estou livre do menosprezo, tampouco da sobrevalorização. Porém, nesse ritmo, querendo ou não, recuperarei, cedo ou tarde, o andar da carruagem, embora eu tema pela morte do prazer. E se isso realmente procede, não penso duas vezes, prefiro nem crescer! É, mas se o tal prazer, o do passado, apenas se transformar numa nova e mais bela versão de si? Aí, nesse caso, eu vivo cativo em sucessivas tempestades no mesmo copo d’água... e só perco o meu tempo.