Na Nuca do Anador - Parte II

(...) Quando foi embora, o menino tinha quinze anos e era assustado, medroso, contido, enrustido e tudo o mais de ruim que se pudesse falar sobre a sua timidez. “Égua, diacho de macho é esse que num fala”, bradava o pai, cachaceiro das brancas, com a boca cheia de farinha e empunhando um pesado cinto de couro.

Pois é, mas o Anador foi-se, pra alívio dos seus familiares, exceto da mãe, Dona Justina. Foi estudar e estudou. Foi se virar e se virou. Fez vestibular e passou, na Federal. Era pra se formar e se formou, em estilismo e moda (e eu lá sabia que pra costurar agora tinha que estudar... eita, se as costureiras dessas bandas daqui souberem disso, vai tudo mudar de profissão). Agora, meu fi, o homem mora em São Paulo, Nova Iorque, Milão e Paris. Vive pra lá e pracolá, ganhando dinheiro com moda graças à propaganda, aos seus perfumes e às suas lojas no mundo todo... até no Japão o “fio duma égua” já inaugurou! Pois o Anador ainda veste, já há algum tempo, um monte de celebridades, uns tais de Garcia Bernal, Del Toro, Banderas, Bruni, Cruise, Bündchen, Winfrey, Cruz, Belucci, Barden, Santoro e mais um bocado de gente famosa que eu, francamente, nunca ouvi falar. Num sei como é que é famoso e a gente aqui não conhece (...)