Aos Incentivos de Redfield - Parte III

[...] Colocasse um dínamo naquele pedaço de chão onde meus calcanhares encostavam e teríamos geração de energia suficiente para manter as luzes do barzinho acesas por meia hora, tão inquietas que estavam as minhas pernas. Síndrome das Pernas Inquietas é a alcunha desse, digamos, distúrbio de ansiedade. E tudo porque o amigo ganhava pouco a pouco o encanto da minha preferida. Justo ela! Por que não se interessar pela Elane ou pela Cristina? Não havia acordo lavrado, no entanto, eu deveria ter a prioridade na escolha, afinal, toda aquela iniciativa da qual gozávamos partiu da minha pessoa. Mas o que a prática mostrava era uma nuvem de energia sendo sugada do meu corpo em direção ao Bruno, numa fiel reprodução do que eu havia apreendido nos escritos da Profecia Celestina. Estava claro, eu perdia terreno... e quanto mais isso se repetia, mais eu ficava fraco e o Bruno se fortalecia. Meu interesse, então, se resumia no arrumar dos cabelos de Vanessa e no seu inclinar em busca dos assuntos do meu concorrente. Tudo parecia estar em câmera lenta e eu, como numa partida de tênis, alternava a posição do olhar, ora para a beldade, ora para a concorrência. Enquanto isso, Caio se mostrava inerte, abandonando qualquer tentativa no que diz respeito a uma aproximação em torno das outras duas que o ladeavam. Dessa forma, pra mim, os protagonistas da mesa eram apenas três personagens: eu mesmo, a predileta e o invasor. Quisera existir somente dois naquela lógica particular. Ah intruso, reclamei! O que ele tem que eu não tenho!? Outra frase clichê acabava de ser gerada – dessa vez em silêncio. De repente, o xeque-mate em formato de frase sugestiva quebrou a angústia daquele momento: “vamos pra piscina lá na casa do Icaraí?” [...]