Era madrugada de sábado e ainda estávamos com a sensação do desconforto auditivo depois de duas horas no confinamento acústico da boate. Já do lado de fora, na calçada, e caminhando em direção ao estacionamento, percebemos três garotas num carro de vidros baixos à espera do sinal verde. Também éramos três e logo se gestava uma venturosa idéia incentivada pelas coincidências que a noite, pelo visto, nos proporcionava. E se o semáforo estivesse permitindo a passagem? E se aqueles vidros estivessem levantados com suas negras películas a impedir a visão das três? E se não fossem três, mas apenas uma e, ainda por cima, acompanhada? E se demorássemos um pouco à espera de mais uma boa música do DJ, o suficiente para que o globo camaleão abandonasse o vermelho ou para que se amontoasse, junto à porta, um grupo de pessoas a atrasar nossa saída à rua? Muita conexão! Ainda mais porque eu havia lido, há poucos dias, “A Profecia Celestina” de James Redfield e me convencera de que coincidências, na realidade, não existem. O que há é uma força superior a trabalhar situações que aos nossos olhos se fazem acaso. E ali, naquele momento, estava eu pronto para colocar em prática um instrumental de técnicas recém-descobertas por meio daquela obra e que misturava auto-confiança e auras de energia positiva. “A noite é uma criança” – cochichei no ouvido do Caio ao tempo em que já me deslocava de encontro ao veículo conduzido pelas meninas e que, àquela altura, ainda estava parado próximo à faixa de pedestres. Quando perceberam minha determinação, a despeito do estereotipado ditado que eu acabara de proferir, os dois me seguiram [...]