Meu trunfo tinha nome: Eveline. Seis anos mais experiente que eu, a “Veveca”, minha vizinha e prima, gozava de extrema popularidade graças à vaga de titular absoluta na seleção de basquete do Ari de Sá. Inclusive, ela nem pagava mensalidade em conseqüência de sua bolsa como atleta. Então, minha prima mais velha – que também era vizinha e, portanto, tinha trânsito livre em minha casa – era a segurança que eu precisava para encarar o “outro lado” do Colégio. Dessa forma, a presença de Eveline foi determinante para uma temporada tranqüila e, mais do que isso, eu e meus companheiros de série tínhamos, então, a cabeça livre para revolucionar. E a revolução dos meninos da quinta série veio com a candidatura às eleições do Grêmio! Imagina um bando de pirralhos organizando uma chapa para concorrer com a, nada mais, nada menos, favorita Chapa composta pelos alunos do Terceiro Ano, “Os Filhos da Pátria”. Mas o mais interessante é que a minha prima – que, como já dito, também era vizinha e tinha trânsito livre na minha casa (e vice-versa) – era uma das líderes dos “Filhos da Pátria” ou “Os Filhos da Puta” como, em segredo, apelidamos. Mas tal disputa foi, do início ao fim, caracterizada pela amizade e pelo apoio entre essas duas rivais. Também pudera, o grupo liderado pelo Terceiro Ano jamais sentiu-se ameaçado pelos pré-adolescentes recém-chegados. Lembro do meu nervosismo quando subi ao palanque para apresentar, ao pátio repleto de alunos, nossa proposta. Potencializava minha tremedeira ver minha prima e suas amigas (que, pra mim, já eram mulheres) fazendo caras e bocas ao estilo “ow, neném... coisa linda da priminha”. No final da contagem dos votos ainda nos posicionamos em segundo lugar, bem à frente das chapas de outras séries! Depois daquele glorioso ano ao som de Parabólica (Engenheiros do Hawaii), me despedi do Colégio Ari de Sá Cavalcante e de meus amigos, uma vez que no ano seguinte, 1992, o Colégio Militar de Fortaleza passou a ser a minha segunda casa. Registro a saudade daqueles dias... Veca, obrigado!