Era quarta-série. Uma sensação que se assemelhava a um mix de ansiedade e novidade transbordava pelos meus olhos no ritmo da palpitação cardíaca. Chovia e lembro adentrar, pela primeira vez como aluno, aos portões do Colégio Ari de Sá Cavalcante situado entre as Ruas Senador Pompeu e Barão do Rio Branco. Me encantavam o ginásio, os parquinhos (naquele tempo, ainda não era comum a terminologia playground) e as inúmeras quadras. E me encantavam, principalmente, porque nunca havia estudado em tão grande estrutura. Naquela época, minha ex-escola nada disso tinha, somente uma velha quadra na qual brincávamos (Márcio, Priscila, Jáder, Fabrícia, Angélica e eu) imitando os heróis japoneses da série Changeman. Pois bem, aquele ano de 1990 significou muito, apesar dos meus inexperientes dez anos de idade. Talvez por isso! Foram novos amigos e uma quebra de paradigmas em minha cabeça infantil e inocente, cuja vista dificilmente cruzava, à pé, a esquina da rua onde se localizava a casa onde residia. Eram tempos de mudança, tempos de tranqüilidade, de aventura. Eram tempos sem preocupações, sem dinheiro no bolso. E qual era a razão para o dinheiro quando se tem nove anos? Recém-chegado numa turma onde a maioria já vinha agrupada desde a alfabetização, conquistei meu espaço com muita coragem e altivez, sendo consagrado como o líder da sala nas eleições daquele ano. Minha rival de notas, a Tereza, passou a ser a vice-líder e nós fazíamos uma dupla engraçada, entre tapas e... só tapas mesmo. Criamos um jornalzinho, cujo objetivo maior era gerar recadinhos e fofocas sobre o que acontecia no universo das duas salas que compunham aquela quarta-série. Puxa vida, que saudade das idas e vindas do colégio com meu avô, cujo couro cabeludo ainda era coberto por cabelos brancos e pretos. Hoje, só brancos. Que saudade daqueles amigos e dos sentimentos por eles nutridos... nada se esperava em troca, era a amizade pela amizade. Levi era o desenhista, Marciane a bela, Tereza a brigona, Christian o batuqueiro (tudo pra ele virava som, até um estojo de lápis – virara baterista), Alonso o melhor amigo, Stelita a melhor amiga, Milena a namoradinha, Klécius o craque de bola e a lista era extensa. Fiquem com Deus, onde quer que estejam!