O Tolo e a Inveja

O tolo confundiu! Ninguém me disse, eu vi... o vi cair pelo que temia, pelo que mentia e pela falta de senso, o bom. Caiu o infame, o ultraje aos bons e idôneos costumes! Do que adianta tanta sabedoria, se és um cego dos fatos, apesar de bem enxergar? Ei, monstro do saber, infeliz é a sina que te domina, o vício do aparentar. Mas eu disse, eu sabia quando e tanto torcia para ver esse dia chegar... veio à galope a queda e eu muito ria impregnado pela doce sensação do ódio mordaz... ri por último, moço! O cuspe escorria e do gozo eu perecia por não mais me mover, ficando ali paralisado, embasbacado de tanto prazer. E aquela cena os loucos viram e apontaram os dedos em minha direção, berrando “olha ali quem é o tolo a rir da desgraça alheia”. Dali em diante eu percebi, me transformara.